Confira o artigo da supervisora de Segurança do Trabalho do Seconci-MG sobre o assunto.
América Latina avança na prevenção dos riscos psicossociais no trabalho, mas ainda enfrenta desafios, aponta a OIT
Por Andreia Darmstadter
A OIT, única agência tripartite da ONU, reúne, desde 1919, governos, empregadores e trabalhadores de 187 Estados-Membros (Brasil é membro) para definir normas trabalhistas, desenvolver políticas e elaborar programas que promovam o trabalho decente para todas as mulheres e homens. Dedicada, também, à promoção da justiça social e à defesa dos direitos humanos e trabalhistas internacionalmente reconhecidos, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) prossegue em sua missão, pautada pelo entendimento de que a justiça social é essencial para a construção de uma paz universal e duradoura.
Em nota técnica publicada recentemente, o organismo internacional analisa os avanços da América Latina na proteção da saúde mental no trabalho e ressalta que ainda há desafios a superar, especialmente no que diz respeito à prevenção dos riscos psicossociais em sua origem. Acesse aqui a nota técnica – “A promoção de ambientes psicossociais saudáveis no trabalho: avanços e desafios na América Latina” (“La promoción de entornos psicosociales saludables en el trabajo: Avances y desafíos en América Latina”) na íntegra.
Entre os fatores de risco psicossocial no trabalho estão a sobrecarga de atividades, as jornadas prolongadas, a falta de autonomia, a insegurança no emprego, a violência e o assédio – situações que podem afetar negativamente a saúde mental dos trabalhadores. Diante desse cenário, a prevenção deve atuar sobre a organização e as condições de trabalho, não se limitando a medidas direcionadas individualmente aos trabalhadores. Nesse processo, é fundamental contar com lideranças preparadas para identificar situações de risco, conduzir equipes de forma responsável, prevenir conflitos e promover ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e respeitosos.
De acordo com as estimativas conjuntas da OIT e da Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho — tensão no trabalho, desequilíbrio entre esforço e recompensa, insegurança no emprego, jornadas prolongadas e intimidação no trabalho — estão associados a mais de 840 mil mortes anuais no mundo por doenças cardiovasculares e transtornos mentais. Do total dessas mortes, 9,5% ocorreram nas Américas.
Cuidar da saúde mental no trabalho implica atuar sobre as causas dos riscos psicossociais. Carmen Bueno, especialista em Segurança e Saúde no Trabalho e Inspeção do Trabalho do Escritório da OIT para o Cone Sul diz: “Cuidar da saúde mental no trabalho implica atuar sobre as causas dos riscos psicossociais. Não basta oferecer respostas individuais: é necessário rever como o trabalho é concebido, organizado e gerenciado, com a participação de empregadores e trabalhadores
Nos últimos anos, vários países da América Latina avançaram no reconhecimento da proteção da saúde mental e na gestão dos riscos psicossociais no trabalho. Houve avanços na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, na Costa Rica, no Equador, no México, no Peru, na República Dominicana e no Uruguai. Entre os avanços estão mudanças normativas, metodologias para identificar e avaliar os riscos psicossociais, instrumentos de prevenção, ações de inspeção do trabalho e medidas de enfrentamento à violência e ao assédio. Organizações de empregadores e de trabalhadores também desenvolveram iniciativas e ferramentas nessa área.
A OIT ressalta, contudo, que a gestão efetiva dos riscos psicossociais ainda representa um desafio. Uma vez identificados, esses riscos devem ser prevenidos e enfrentados desde sua origem, por meio de medidas que contemplem as exigências e responsabilidades profissionais, a carga e o ritmo de trabalho, a autonomia dos trabalhadores, a organização do tempo e as práticas de supervisão e controle.
Embora as iniciativas individuais voltadas ao bem-estar sejam importantes, elas não substituem as medidas coletivas e organizacionais necessárias à prevenção desses riscos. Nesse contexto, o compromisso das organizações e o preparo das lideranças para reconhecer situações de risco, conduzir equipes e promover relações de trabalho respeitosas são fundamentais para a construção de ambientes laborais mais saudáveis e seguros.

